segunda-feira, 27 de junho de 2011

experiencia

Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei
brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já
conversei com o espelho,
e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico,
caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra
fora. Já passei trote por
telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já
confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo
desconhecido. Já raspei o
fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado,
já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas
descobri que
essas são as mais difíceis de esquecer. Já subi escondido no telhado pra
tentar pegar estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada
de bunda. Já fiz juras
eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão do
banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri
pra não deixar alguém chorando,
já fiquei sozinho no meio de mil pessoas Sentindo falta de uma só. Já vi
pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de
voltar, já bebi uísque
até sentir dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim
não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já
quase morri de
amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei
no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr
descalço na rua, já
gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e
achei que era para sempre, mas sempre era um ‘para sempre’ pela metade. Já
deitei na grama
de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas
descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão.
Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção,
guardados num baú, chamado coração.. E agora um formulário me interroga, me
encosta na
parede e grita:
‘Qual sua experiência?’ .
Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência. Será que ser ‘plantador de
sorrisos’ é uma boa experiência? Não!
Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!
Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta
pergunta:
‘Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?’ 

domingo, 26 de junho de 2011

poesia

Acho bem de uma olhada



Você é o sol
e eu sou a lua,
nos eclipses do amor,
minha boca beija a sua

No céu escolhi uma estrela. 
No jardim escolhi uma flor. 
Na Terra escolhi você,
Para ser o meu grande amor. 

Com os olhos eu te vejo,
com a boca eu te chamo,
com os lábios eu te beijo,
com o coração eu te amo

Gosto da rosa branca
porque nasceu no jardim,
gosto da minha sogra
porque criou um amor pra mim." 

Amei e fui infeliz... 
Jurei nunca mais amar
Mas seus olhos fizeram
Meu juramento quebrar... 

Beijo na testa é respeito
Beijo no rosto é carinho
Beijo no queixo é vontade... 
de subir mais um pouquinho

De amar morreu Julieta
De amor morreu Romeu
E eu também estou morrendo
Por um amor que não é meu!!! 

Debaixo da minha janela,
corre água sem chover... 
São lágrimas dos meus olhos,
que choram por não te ter

O alfabeto pegou fogo,
corri para salvar. 
salvei a letra Amor
e o resto deixei queimar

"Não te quero por um dia. 
Não te quero por um ano. 
Te quero por toda a vida
Te quero porque te amo." 

sábado, 25 de junho de 2011

Poema

Com ou sem sentido, você é você

Recordar não é viver
Viver de passado
É o mesmo que morrer
Recordar a inutilidade
Do que poderia ter feito e não fez
Você poderia ter aprendido neoinglês
Você poderia ter virado burguês
Você pode contar até três!
E se esquecer de tudo
Tudo o que se desfez
Agora fique mudo
Pois é melhor do que falar essas bobagens
Agora preste atenção
Faça um esforço e siga sua razão
Não dê só ouvidos ao que vem do coração
Pegue as passagens de agora como experiência
Comece agora uma relação de recorrência
Comece a planejar a razão de sua existência
Comece a praticar algo de sua preferência
Comece a ter pensamentos de sua conveniência
Você é tudo o que diz
Você é o que você faz
Você ou se deixa pra trás
Ou siga em frente até Minas Gerais
Ou até o Rio, ou até Santo Expedito
Você traça seu modo de viver
Você é esquisito ou normal
Você é descolado ou boçal
Você é feio ou bonito
Mas no fundo eu sei
Que você é o receio
De uma vida sem sentido…
Ana Paula

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Poema

Soneto do amigo

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
Vinicius de Moraes

terça-feira, 21 de junho de 2011

Poesia Gaúcha

Gauchesca 
Antonio Augusto Coronel Cruz
Canto agora nestes versos
com meu grito entusiasmado
a lida e o povo gaúcho
neste rincão abençoado

Quero falar do chimarrão
do churrasco e do gaiteiro
da linda prenda cheirosa
e do ginete faceiro

Das tropas cruzando as coxilhas
na toada mansa do tropeiro
nos tombos nas domas renhidas
e do galpão hospitaleiro

Canto o minuano cortante
o poncho amigo e o laço
a disparada da ema
e a boleadeira cortando o espaço

Exalto a história dessa gente
valente, simples e altiva
que tem a liberdade como semente
brotando da terra nativa

Sendo farrapo, chimango, maragato
ou peleador no Paraguai
são os rebentos deste Rio Grande
os filhos honrando o pai

Canto um tempo iluminado
pelas faíscas das adagas
pela prata dos arreios
e pelos olhares das amadas

Um tempo de muitas distâncias
vencidas num lombo tobiano
das frescas sangas de pedras
e das noites no chão pampeano

Vendo a tapera silenciosa
sinto um aperto no peito
lembrando o fio do bigode
e outras tradições de respeito

E me vem uma nostalgia infinita
dessa vida gaudéria e passada
uma amarga solidão sem consolo
como a perda da mulher amada

Mas sigo alimentando o braseiro
e ao patrão do céu peço, sincero,
que proteja este mundo campeiro
e o grito do quero-quero 

segunda-feira, 20 de junho de 2011


Os Poemas (Mário Quintana)

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...